Quando empreendimentos privados geram impactos que exigem investimentos públicos milionários para correção, o modelo está errado.
Os alagamentos registrados na Praça Celso Lino, no bairro Halim Souki, durante a chuva de domingo (4/1), acendem um alerta que vai além dos transtornos momentâneos causados pela água. O episódio escancara fragilidades no processo de aprovação e fiscalização de empreendimentos imobiliários privados em Divinópolis, fragilidades que, no fim da conta, recaem sobre o contribuinte.
Conforme o vereador Wellington Well, uma das possíveis causas do alagamento está na movimentação de terra de um loteamento aprovado nas proximidades. Com a chuva intensa, a enxurrada arrastou a terra para o córrego que corta a região, provocando assoreamento e reduzindo a capacidade de escoamento da água. Diante disso, o parlamentar cobra esclarecimentos sobre o licenciamento do empreendimento e se houve o cumprimento de todas as exigências ambientais ou se há indícios de irregularidades que possam configurar crime ambiental.
Problema se repete e revela padrão preocupante
O caso do Halim Souki não é isolado. Situação semelhante ocorreu em um loteamento no bairro Candelária, conforme mostrou o vereador Vítor Costa (PT). Ambos os empreendimentos, o do Candelária e o do Halim Souki, receberam a aprovação em 2022.
Além disso, Vítor Costa também denunciou um possível carreamento de resíduos provenientes de um empreendimento próximo ao bairro Sidil, com material sendo levado diretamente para a lagoa. As intervenções no local já haviam sido alvo de questionamentos anteriores, envolvendo desde a instalação de manilhas direcionadas à lagoa até a supressão de mata prevista como contrapartida do empreendimento responsável pela abertura da Avenida Divino Espírito Santo e pela revitalização da lagoa. Não por acaso, já houve a formalização de denúncias de possíveis crimes ambientais.
Lucro privado e prejuízo público
Os casos recentes levantam uma discussão que precisa ocorrer de forma clara: qual é o custo real desses empreendimentos para a cidade? Embora projetos privados e lucrativos, os impactos gerados frequentemente exigem intervenções públicas caras para correção.
No bairro Halim Souki, por exemplo, conforme aponta o vereador Wellington Well, a solução passa por obras de drenagem. Ou seja, intervenções complexas, custosas e pouco visíveis politicamente, já que ficam “debaixo da terra”. São obras essenciais, mas que poucos governos se dispõem a executar, justamente por não renderem dividendos eleitorais imediatos.
Enquanto isso, a população convive com alagamentos, prejuízos materiais e insegurança. Já o município assume despesas que poderiam ser evitadas com um licenciamento mais rigoroso, uma legislação melhor elaborada e uma fiscalização efetiva desde o início.
- Empresários do Centro-Oeste de Minas são homenageados no Dia da Indústria 2026
- Simulador da reforma da Previdência já está disponível para servidores de Divinópolis
- Mega-Sena 30 anos: apostas para prêmio de R$ 300 milhões terminam neste sábado
- Governo de Minas homologa concurso da Polícia Civil
- Diocese de Divinópolis anuncia mudanças em paróquias de Divinópolis e Nova Serrana
Loteamentos em Divinópolis: Desenvolvimento urbano exige responsabilidade ambiental
Divinópolis precisa decidir se continuará tratando o licenciamento ambiental como mera etapa burocrática ou se passará a encará-lo como instrumento central de planejamento urbano. O avanço imobiliário é legítimo, mas não pode ocorrer à custa do meio ambiente, da infraestrutura da cidade e do bolso do contribuinte.
Quando empreendimentos privados geram impactos que exigem investimentos públicos milionários para correção, o modelo está errado. E a cada nova chuva, a conta chega, para você.



